Fibromialgia

Segundo a literatura nos primórdios da civilização em relatos bíblicos já se encontravam passagens que descreviam personagens com distúrbios do sono, dores corporais e cansaço associados.

No entanto, as primeiras considerações médicas sobre a síndrome foram feitas por Froriep em 1850, no século XIX, com a identificação de pacientes portadores de “reumatismo” que apresentavam pontos musculares dolorosos à palpação.

Ao longo dos anos 80, já no século XX, ocorreu a aceitação dos pontos sensíveis (tender points) como úteis ao diagnóstico da síndrome, assim como a proposição do termo “fibromialgia” (fibro = fibras; mio = músculo; algia = dor).

Finalmente em 1990, através de um Comitê Multicêntrico criado pelo Colégio Americano de Reumatologia (CAR), foram esclarecidos os critérios para o diagnóstico da fibromialgia, baseados no encontro dos pontos sensíveis.

Desta forma, define-se fibromialgia como uma síndrome reumática, caracterizada por dores difusas, refletidas nos ossos, músculos, tendões e fáscias, de caráter crônico, que apresentam pontos dolorosos à palpação em locais predeterminados denominados pontos dolorosos ou tender points.

Os pontos de dor/tender points foram muito usados durante a década de 90.

Na época, usava-se um mapa elaborado por 20 reumatologistas para testar a sensibilidade do paciente. Os 18 pontos distribuídos pelo corpo eram os mais citados por pacientes como locais doloridos. Simétricos bilateralmente, sendo a maioria concentrada acima da cintura.

Fibromialgia
Os 18 pontos de dor mais frequentes na fibromialgia.

Hoje em dia, eles ainda ajudam mas não são definidores do diagnóstico. É necessário haver um conjunto de outros sintomas que englobam cansaço extremo, alteração do sono, problemas de concentração e de memória.

Desde 1980 estudos mostravam que pacientes com fibromialgia tinham neurotransmissores de dor, como a substância P (pain = dor), em maior quantidade. No entanto, só a partir de 2000, com o avanço da neurociência, é que foi possível mostrar em exames RM (ressonância magnética) tal achado. Desta forma podemos afirmar que o paciente fibromiálgico tem um limiar de dor mais baixo.

Fibromialgia
Cérebro de paciente com fibromialgia (à direita) apresenta maior reação à dor

Portanto, podemos dizer que a síndrome é caracterizada por dor crônica que migra por vários pontos do corpo e se manifesta especialmente em tendões e articulações.

Está relacionada com o funcionamento do sistema nervoso central e com o mecanismo de supressão da dor. Atinge, em 90% dos casos, mulheres entre 35 e 50 anos.

Tratamento farmacológico e não farmacológico

A terapêutica atual se baseia essencialmente no controle dos sintomas e sinais. Para que tal ocorra, o único consenso existente é que o paciente deve ser tratado de maneira global nos diferentes aspectos afetados pela dor crônica.

Apesar do paciente fibromiálgico apresentar baixa tolerância aos exercícios físicos, relatando uma sensação subjetiva de fraqueza muscular, incapacidade física, alteração na capacidade de executar tarefas de vida diária, diminuição da qualidade de vida com prejuízo evidente na vida profissional, a experiência clínica nos mostra que quando o paciente é submetido a uma terapia manual como o Rolfing®, que tem como objetivo a liberação do tecido muscular, reequilíbrio postural e educação do movimento, seguido de exercício de alongamento e fortalecimento muscular, ocorrendo uma considerável melhora da circulação sanguínea, da nutrição muscular e da dor, com consequente melhoria nas atividades da vida diária (AVDs).

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